domingo, 3 de outubro de 2010

Leonardo Boff: A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

23 de setembro de 2010

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lula ou Lindu? Os filhos do Brasil

Maria Clara Lucchetti Bingemer


O recente filme sobre a vida do presidente Lula, feito por Fabio Barreto, não foi o sucesso de bilheteria esperado. Interpretado por muitos como um recurso a mais que o presidente estaria utilizando para alavancar a candidatura de Dilma Roussef a sua sucessão, o filme recebeu crítica não tão positiva e não lotou os cinemas como antes se pensava, em proporção à popularidade tão alta de que goza Lula.
Fui ver o filme. Gostei. Acho que é bem feito, mostra um retrato fiel daquilo em que consiste o capital maior de Lula em relação ao Brasil que pretende governar: suas origens humildes, seu duro itinerário como filho de família numerosa e pobre do Nordeste, como tantas outras, sua luta para conseguir abrir caminho na metrópole paulista em direção a um futuro melhor.
O filme é bem dirigido, com um bom elenco de atores e atrizes, com destaque para o desempenho fantástico de Gloria Pires como Lindu, a mãe coragem, personagem chave na vida de Lula. Justamente Dona Lindu é quem provoca nossa reflexão nesta crônica, fazendo-nos tentar ver mais longe o significado do filme para o entendimento da pessoa e do personagem Lula antes e depois de seu acesso ao governo brasileiro e agora, neste momento em que prepara sua sucessão, em total apoio à campanha de sua candidata Dilma Roussef.
O filme deixa claro que Lula – como muitos brasileiros – é um filho criado por mãe sozinha. Dona Lindu faz parte do time destas inúmeras mulheres para quem o homem que escolheram como companheiro se revela como um peso ou uma ausência. Dominado pela bebida, pela depressão de não conseguir uma vida digna para si ou sua família, pela infidelidade que os faz buscarem outras parceiras sexuais, levando-os a abandonar a casa e a prole, o marido de Lindu, pai de seus inúmeros filhos, inclusive de Lula é alguém que não exerce papel positivo na formação do presidente.
Para muitas mulheres brasileiras como Lindu, o homem que se deita com elas e lhes dá uma maternidade múltipla permanece em casa. Torna-se uma figura emblemática, como um adorno ou um móvel, alguém que não participa em nada da luta pela educação dos filhos e pelo sustento do lar e quando muito serve de alguma garantia para que o vizinho não a incomode. Para Lindu, como para tantas outras, nem esse papel desempenhou o marido, que se foi para São Paulo, com a outra mulher com quem se relacionava e que já levava no ventre um filho seu.
Lindu ficou cuidando dos inúmeros filhos, entre eles Luis Inácio. Aristides voltou em determinado momento, dando-lhe mais uma filha. A todos nutriu, de todos cuidou em meio à pobreza em que vivia. Até que um dia toma também o caminho do sul maravilha com toda a filharada.
O filme mostra com muita felicidade a saga dessa mulher que ao chegar encontra o marido com outra e se dispõe a criar e educar os filhos na metrópole selvagem e hostil, enfrentando todos os obstáculos e dificuldades. E mostra melhor ainda o processo interior que Lula vive ao observar essa giganta de coragem e determinação que é sua mãe.
Cresce e sempre pode encontrar naquela que o trouxe no ventre e o nutriu com o leite de seu peito a conselheira, a que lhe dá força e estímulo, em suma, a melhor amiga. Na vida do jovem metalúrgico que vai descobrindo seu talento de líder sindical, de negociador político, de personalidade carismática, Lindu é a interlocutora privilegiada que o faz ter confiança em si mesmo, não recuar, ir para frente.
O que acontecerá com o psiquismo de Lula quando dona Lindu começa a envelhecer e tornar-se mais fraca, não podendo mais ser a coluna que o sustenta? Simplesmente há uma alternância de apoio feminino. Lindu é substituída por Marisa Letícia, a segunda mulher, esposada após a morte da doce Lurdinha, morta por negligência e imperícia da saúde pública brasileira, assim como o primeiro filho do presidente.
Viúva de um motorista de táxi assassinado na violenta Paulicéia, Marisa é mulher forte, de cabelo na venta, que toma o bastão passado por Lindu e passa a desempenhar o papel de companheira, conselheira, participante em lutas e trabalhos, penas e glórias.
Lula, o filho do Brasil é um homem construído por mulheres, que deve às mulheres, sobretudo ao monumento de força e retidão que foi sua mãe Lindu, mas também à esposa Marisa, muito do que é, do que fez, do que conseguiu. O fenômeno Lula é inseparável do fenômeno Lindu e em certa medida, igualmente do fenômeno Marisa Letícia.
Aonde queremos chegar com essa reflexão? Não pretendemos, obviamente, traçar aqui uma argumentação rigorosa e consistente sobre a sucessão presidencial, nem muito menos fazer previsões neste sentido. Ao contrário, desejamos trazer nossa leitura do filme e da leitura que o diretor faz da trajetória de Lula.
E a conclusão é que Lula é alguém que confia nas mulheres. Como não confiaria, ele que deve tudo que é a Lindu, filha do Brasil por excelência e vencedora em uma situação na qual normalmente só existem vencidos? Ele sabe que deve a Lindu ser hoje um vencedor. Sabe que deve muito a Marisa do equilíbrio psicológico que o ajuda a enfrentar situações para as quais normalmente não estaria preparado. Em suma, sabe que as mulheres, quando assumem um desafio, em geral não o largam e teimosamente lutam até o fim para levá-lo a bom termo. Basta ver o conselho que Lindu lhe dá e que o filme resgata com seu testamento para o filho: “Teima, teima...”
Lula teimou e chegou à presidência. Após três derrotas. Lula agora teima diante de todo o Brasil e insiste na candidatura de uma mulher, Dilma Roussef, para sucedê-lo. As pesquisas dizem que pode não emplacar, a saúde da candidata inspirou cuidados, o carisma de Dilma deixa a desejar. Lula segue teimando. É de supor que aos seus ouvidos continue ressoando o conselho de Lindu: “Teima, teima”.
Se a teimosia der certo como outras já deram, é de se esperar – para o bem do Brasil e do povo brasileiro – que Dilma levante alto a bandeira da mulher no poder, sendo a primeira presidente do Brasil. Não seria justo com Lindu se acontecesse o contrário

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A verdadeira intenção do PSDB

O Senador Alvaro Dias declarou que o partido está em negociação com uma empresa de Houston, nos Estados Unidos, para auxiliar seu trabalho na CPI da Petrobras. E diz mais “Foi a única empresa até agora que topou nos ajudar porque não é daqui e deve trabalhar para as concorrentes da Petrobrás. Na próxima semana devemos ter muito mais munição”.As motivações do PSDB aos poucos vão ficando claras. Para atacar um patrimônio nacional busca apoio em uma concorrente nos Estados Unidos, país que tem enorme interesse no enfraquecimento da Petrobras, já que pretende que suas empresas de petróleo ganhem importante fatia do pré-sal. Para isso contam com um senador tucano, que se dispõe a fazer o jogo do capital internacional contra a empresa brasileira.
Depois de tentar mudar o nome da empresa para PETROBRAX, agora os tucanos se dispõem a prestar relevantes serviços aos concorrentes de nossa maior empresa. Mas, sobre isso, a imprensa não fala uma linha.
Álvaro Dias deverá se encontrar com representantes de uma empresa de Houston na próxima semana para fechar contrato de investigação sobre a Petrobras. Dias deixou subentendido que a investigação que ficará a cargo da tal empresa pode ultrapassar a análise dos documentos enviados à CPI. O senador falou sobre essa questão com jornalistas do Globo, Estadão e Folha. Mas não deu detalhes.
Outro senador que estaria envolvido nos contatos com a empresa é Sérgio Guerra, mas ele se nega a falar sobre o assunto.”
O Conversa Afiada, na segunda-feira, perguntará ao senadores Álvaro Dias e Sérgio Guerra os termos da colaboração dos tucanos com a empresa americana para desestabilizar a Petrobrás e meter a mão no pré-sal.

domingo, 30 de agosto de 2009

SEM NOÇÃO

Teatro lotado, show começando no horário marcado, a companhia de alguém muito especial, o artista entrando de forma glamurosa. Tudo caminhando para ser uma noite impecável, não fossem aqueles incovenientes flashes dos celulares tentando fotografar não sei o quê.
Com a iluminação do teatro reduzida as fotos tiradas a partir do celular não servem para praticamente nada. Não são nítidas, a resolução é ruim, entre outras desvantagens. Além disso ainda existe a questão do desrespeito ao pedido da organização de não fotografar usando flashes. São pequenas luzes que no escuro do teatro se tornam insuportáveis. Mas, um dia, tenho fé que evoluiremos também neste sentido.

sábado, 29 de agosto de 2009

Vou votar na "Jakie"

Alguns minutos dançando em um palco de uma casa de shows de Salvador rendeu à professora Jequeline Carvalho uma exposição midiática muito maior que muito partido grande não consegue.
Os pouco mais de 6 minutos dançando ao som da musica "Todo Enfiado" da Banda O Troco lhe renderam matérias em todos os meios e veículos de comunicação baianos e alguns nacionais.
A rede Record gastou duas preciosas horas da sua programação de fim de tarde exibindo repetidas vezes o vídeo e entrevistando a moça. As perguntas, como não poderia ser diferente neste tipo de programa, ao invés de debater o polêmico aparecimento da professora, se ocupou apenas tentar saber das pretensões artísticas de Jaqueline. O interrogatório queira saber se ela vai posar nua ou ser dançarina da banda e coisas do tipo.
Ela revelou também que havia bebido duas garrafas de whisky e cerveja. Eu custo a acreditar. É muito álcool.
Não sou defensor nem acusador da professora Jaqueline Carvalho. Apenas penso que o foco da discussão deveria ser os caminhos que a música baiana tem trilhado. Temos compositores, cantores, poetas, enfim, artistas de todas as matizes, mas o que gera discussão e mídia gratuita é este tipo de música.

terça-feira, 7 de julho de 2009

ONDE OS FRACOS TEM VEZ

TELEANÁLISE - Malu Fontes

Numa mesma semana a televisão contou com uma pauta longa de notícias relevantes. Michael Jackson, Farah Fawcett e Pina Bausch morreram, cerca de 150 passageiros sumiram no Oceano Índico na queda do segundo Airbus no mar em um mês, a lama em torno do senado e de José Sarney subiu a níveis de transbordamento, fezes e dejetos de todo o tipo (fraldas usadas, sanitários químicos usados e compactados) foram importados pelo Brasil da Inglaterra via porto de Rio Grande (RS), o pregão eletrônico viva voz das bolsas de valores no Brasil deixaram de existir para sempre, um grupo de militares fossilizados ressuscitou o golpe de estado em Honduras e a gripe suína provocou a primeira morte no Brasil, onde o número de contaminados já aproxima-se de 700. É muita informação importante para período tão curto.

No entanto, para o telespectador de Salvador, é pouco provável que quaisquer destas informações veiculadas ostensivamente em todas as emissoras abertas e fechadas de TV tenham tido força suficiente para ofuscar a contundência do ato e da entrevista do professor de Educação Física Adalberto França de Araújo Filho, 39 anos, preso na última segunda feira por torturar, esfaquear, atirar e queimar a mulher e mãe de sua filha na quinta-feira da semana anterior. Não se trata de um homem miserável, desses analfabetos, famélicos, a quem o senso comum atribui a barbárie doméstica praticamente como um sintoma natural da condição desumana de onde emergiram desde que estão no mundo. Trata-se de um homem desses aparentemente comuns, desses que podem ser vistos em delicatessens de rico comprando comes e bebes para compartilhar com os amigos na casa confortável de classe média onde vive com mulher e filhos.

PÊNIS E FACAS - O tempo passa, o tempo voa e o machismo continua, sim, numa boa. Para boa parte dos homens, sobretudo os latinos, o pênis ainda é tido como uma arma contra a mulher. Uma arma que a qualquer momento pode se estender prolongando-se sob a forma de facas, revólveres, murros, gritos, humilhações, autoritarismo, imposição de controle, torturas morais e físicas e assassinato. Além disso, a autoridade e a hierarquia doméstica depositadas exclusivamente sobre o homem ainda é um valor tão comum entre as boas famílias quanto o almoço de domingo. Muita coisa mudou, mas a possessividade bestial masculina ainda é tão entranhada que Adalberto dá-se ao direito de alegar razões para o que fez e se permite atribuir a si o poder de perdão. Diz, sem que lhe perguntem algo tão nonsense, que, sim, é capaz de perdoar a mulher, que sobreviveu, embora com toda o tipo de seqüelas: dedos cortados, fraturas múltiplas, incluindo mãos e os dois pulsos, hematomas incontáveis, tiros, cortes e queimaduras, inclusive com pontas de cigarros nos seios.

O perdão seria por ela o trair. A certeza da traição veio da confissão arrancada em 4 horas de violência e tortura. Houve de tudo. Cortes de faca no rosto, na vagina e no ânus, ingestão de fezes dele sob a mira de um revólver carregado (e disparado várias vezes), jatos de leite fervente sobre o corpo, várias queimaduras de cigarro e detalhes que chocaram os médicos que a atenderam. O agressor argumenta de forma assertiva que não é o único culpado pelo que aconteceu, pois ela sabia que ele não admite traição. Imagina se os machos sentados sobre seus sacos inflados de poder outorgado por séculos são capazes de admitir que suas mulheres lhes devolvam aquilo que é praticado por eles com tanta naturalidade. Defende-se dizendo que não a torturou. O que fez foi ter usado, por perder a cabeça, meios indevidos para levá-la a falar a verdade. Em seu raciocínio de macho castrado pela impossibilidade de se imaginar preterido, tudo o que fez foi por amor. Sim, no Século XXI ainda há imbecis graduados capazes de usar um argumento tão rastaqüera e vencido. Se há universo onde os fracos morais ainda tem vez, é na violência doméstica. A punição ainda está longe de alcançá-los na medida em que merecem.

JESUS CRISTO - As imagens de TV com as declarações de Adalberto são um peça a ser adotada nacionalmente nos anais do machismo brasileiro. E não vale o argumento de surto ou doença. Uma coisa é patologia, outra é mau caratismo e violência masculina, pois, como se não bastasse o argumento amoroso, há outro: surto psicótico. Se há algo difícil de ser explicado pelos pesquisadores dos descaminhos da mente humana, é o surto premeditado. Na véspera, o agressor tratou, segundo foi divulgado, de providenciar uma receita médica de um medicamento de uso controlado, tarja preta. Na noite do crime, mandou a babá e a filha pequena para a casa de parentes. As intenções do surto, portanto, chegaram bem antes da manifestação.

Nem Nélson Rodrigues colocaria algumas das frases de Adalberto na boca dos maiores de seus cafajestes de ficção. Sobre a irrefutabilidade da traição confessada pela companheira, não titubeia: ninguém mentiria, segundo ele, diante de um revólver carregado. Quanto equívoco: por muito menos e, sob a promessa de que, em caso de confissão, nada aconteceria, como ele fez, qualquer fortão revelaria, em segundos, ser o mentor e executor da crucificação de Jesus Cristo. Para as mulheres, diante do nojo experimentado com as falas de um impotente moral se fazendo passar por limpador da própria honra, ouvir na TV que a Inglaterra está literalmente exportando merda para o Brasil, soa como uma notícia quase banal, afinal o país já produz tanta que uns contâineres a mais ou a menos...

Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Texto publicado em 05 de julho de 2009. maluzes@gmail.com

domingo, 5 de julho de 2009

Lula na liderança

Em pesquisa realizada entre os dias 10 e 13 de Junho pelo Instituto Veritá em Uberlândia-MG constatou-se a aprovação dos governos municipal, estadual e federal. O presidente Lula tem a aprovação de 72,7% dos entrevistados, que responderam a pesquisa com conceitos de ótimo ou bom. Dos 20,9% que avaliaram o governo como regular, 61,7% entendem como regular positivo. Considerando este grupo o percentual de aprovação do lider do executivo sobe para 85,6%.
A mesma pesquisa avaliou também os governos municipal e estadual. O prefeito de Uberlândia foi aprovado por 61,6% dos entrevistados e o governador Aécio Neves ficou com 51,4%.
Dono de uma capacidade impar de governar e driblar as crises o presidente brasileiro vai aos poucos escrevendo uma densa página da história mundial recente.
Os diversos programas sociais postos em prática pelo governo são o diferencial necessário para evitar o colapso do projeto. O Bolsa Família, o Prouni, o Luz para Todos são exemplos reais de acertos deste governo que escolheu não governar para as elites. Há quem diga que os eleitores de Lula, assim com ele, não leem jornais e por isso votam e respondem pesquisas que levam a este resultado. Eu penso que os resultados das urnas e das pesquisas são produzidos livre e democraticamente pela maioria.