quarta-feira, 6 de outubro de 2010

As lições das Urnas

Por Almir Simões

A excelente performence de Dilma – novata nas urnas –vencendo por 46% a 33% um candidato que por três vezes colocou a cara na tela é super gratificante e promete muito.

Convém lembrar que o Lula perdeu as 03 primeiras eleições para presidente e em 2002 2006 só ganhou no segundo turno que ora se apresenta muito salutar para a democracia.

A derrota vergonhosa dos senadores Tasso Jereissati (Ce), Arthur Virgilio( Am), Heráclito Fortes (PI), Marco Maciel(Pe), César Maia (Rio) – serristas - e César Borges(Ba) – oportunista de plantão - representa o enterro dos velhos caciques do coronelismo na política brasileira, séria advertência para o Agripino e o Bornhausen que poderão sofrer a guilhotina nas próximas eleições e apelo aos novos que foram eleitos a fazerem uma oposição mais responsável e comprometida com os avanços e conquistas sociais e econômicas da era Lula.

A vitória exuberante de Jacques Wagner na Bahia, Sergio Cabral no Rio, Tarso Genro no RS, Eduardo Campos em Recife são exemplos de gestão participativa e transparente que o povo aplaude e reconhece. Ao contrário a vitória inexpressiva de Alkimim em São Paulo só comparável a de Roseana no Maranhão está no rol daqueles que vencem mas não convencem. Muito vergonhoso e chega às raias do ridículo o palhaço Tiririca obter quase três vezes mais votos que Gabriel Chalita, mestre e doutor, professor da PUC, escritor renomado, ex-secretário de educação, exemplo de ética e dignidade na política paulistana. Grande desafio para o PSDB que em 16 anos no poder foi incapaz de educar a população para a cidadania.

Surpreende a vitória de Dilma no Maranhão ( 70:64% x Serra 15:09 ) superando os índices de sua terra natal Minas Gerais e do Rio Grande do Sul berço de sua vida em gestão pública. Na minha ótica a carência de uma reforma política responsável por coligações esdrúxulas explica o antagonismo existente no Maranhão. De um lado mantém o governo conservadorista e no plano federal reconhecem os grandes avanços do governo Lula.

E o tal “ fenômeno “ Marina ? Que fenômeno ? Foi muito mais um processo de evaporação sofrido por Dilma na reta final das eleições. Marina foi a terceira colocada em sua terra natal o Acre, estado pequeno, com pouco mais de 600 mil eleitores. Não vejo no resultado uma liderança pessoal mas uma “votação vaporosa” para uma grande maioria de eleitores que quiseram fugir do embate, rejeitam Serra e ficaram com medo de votar em Dilma. Não vendo em Marina nenhuma ameaça, enrolaram os votos numa bandeira verde. A avalanche de calúnias duras e gratuitas sofridas por Dilma na internet, o denuncismo, as distorções, as baixarias, a exploração do sentimento religioso para confundir os incautos foram armas da oposição e de inocentes úteis contra Dilma responsáveis pelo tal “fenômeno.” Espero que a própria Marina faça uma auto-avaliação para não escorregar em casca de banana pois já está sendo cotejada por reacionários conservadores que lutam para retomar o poder. Deve se espelhar na derrota de Heloisa Helena para senadora, um desastre que não se esperava. Ao mesmo tempo, lembrar-se que foi na escola de Lula que recebeu a régua e o compasso para dar os primeiros passos na carreira política. Uma guerra não se ganha apenas com uma batalha. A primeira foi muito bonita e tem o sabor de vitória. Acho que o segundo turno vai ser mais fácil. Dilma já parte com 46% de votos consistentes que em hipótese alguma serão tragados. Avante Brasil !

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O segundo turno e a revolução democrática no Brasil

Por Emiliano José - Jornalista, escritor e professor

O resultado do primeiro turno indica que toda a nossa militância política, a do PT e de todos os partidos aliados terá que ir à luta para garantir a continuidade da revolução democrática em andamento no Brasil, elegendo Dilma contra Serra. O governo Lula colocou em marcha essa revolução, depois da eleição de 2002. Não foi até agora um processo simples. Não o será daqui para frente. É, no entanto, uma revolução inédita no Brasil, e que, levada adiante, pode assegurar a construção de uma nação não só poderosa economicamente, como já o somos, como também, e sobretudo, uma nação justa, que modifique nossas tradicionais estruturas voltadas à concentração de renda e à desigualdade, ainda das maiores do mundo entre nós. Uma nação que democraticamente incorpore em profundidade a presença do povo brasileiro, que pense o desenvolvimento sempre em razão da maioria, e não voltado a atender aos interesses de uma minoria. Por tudo isso, será essencial que nos coloquemos todos em campo, insistindo na importância de levar adiante tal revolução.

Essa revolução, que será de longo curso, já quebrou alguns paradigmas. O primeiro deles, talvez, o de imaginar o glorioso dia da revolução, como muitos de nós imaginávamos acontecer, dia em que o paraíso se estabeleceria, e as estruturas antigas desmoronariam como que por encanto. Não pensávamos a longo prazo. Não pensávamos como Gramsci na guerra de posição. Imaginávamos sempre a guerra de movimento, a conquista do Palácio de Inverno. Advogávamos, muitos de nós, o corte abrupto, súbito, a tomada do poder, a ditadura do proletariado, e então, tudo se faria, com violência se fosse o caso, e sem democracia. Sob a democracia, então denominada burguesa, não seria possível promover transformações na vida do povo.

O governo Lula provou o contrário. A guerra de posição, se me permitem a metáfora, foi caminhando, e promovendo conquistas extraordinárias. E essas conquistas levaram sempre em conta as necessidades, os direitos do nosso povo, especialmente do nosso povo mais pobre. Depois de Vargas, este foi o primeiro governo a novamente pensar no povo brasileiro mais pobre, e o governo Lula, para ser verdadeiro, foi muito mais amplo no esforço de garantir a presença do povo brasileiro, e insista-se, do povo mais pobre, na dinâmica de desenvolvimento do País, à Celso Furtado, que é sempre bom lembrar os grandes pensadores, e Celso é um dos maiores deles. Aqui, a revolução democrática derrotava outro paradigma - o paradigma tecnocrático e com origem nas classes dominantes, de que era primeiro necessário crescer para depois então distribuir renda.

Vargas, para não sermos injustos, pensou um projeto de nação, e desenvolveu economicamente o País à base da idéia da inclusão dos trabalhadores urbanos, e não seria justo dizer, à FHC, que toda aquela experiência deveria ser negada sob o rótulo simplista de populismo. O governo Lula, no entanto, no leito da revolução democrática, foi muito além, e por isso incorporou à vida, à cidadania coisa de mais de 30 milhões de pessoas, retiradas da miséria absoluta, retiradas da condição do não ser. Incorporou com políticas públicas ousadas, enfrentando o apetite da grande burguesia, das classes dominantes, e até os preconceitos do esquerdismo infantil, que não aceita a melhoria das condições de vida do povo senão pelo processo do corte abrupto, como se esse corte fosse possível nas condições brasileiras. E enquanto ele não se dá, essa esquerda permanece imobilizada. A idéia, tão acalentada pela esquerda, da criação de um mercado de massas, concretizou-se sob o governo Lula, sob a revolução democrática em andamento.

Claro que essas transformações, efetivadas pelas políticas públicas em andamento, que vão do Bolsa Família à recuperação do salário mínimo, e passam pelo Luz para Todos, pelo Pronaf, pelo Prouni, para lembrar alguns aspectos dessas políticas, foram feitas à base da extraordinária coragem e determinação do presidente Lula e, também, de sua fantástica capacidade de negociação. E Lula, aqui, quebrava outro paradigma nosso, da esquerda: o de que tudo se conquista pelo confronto. Lula aprendeu, na vida sindical, e depois levou esse ensinamento para a política, que é sempre melhor uma boa negociação do que uma greve. Que a greve pela greve não interessa. Na política, nunca perdeu o rumo, nunca deixou de olhar para os mais pobres, em momento algum. Mas, soube dar um passo adiante, dois atrás, depois três adiante, tendo como objetivo a melhoria de condições de vida do nosso povo.

O governo Lula teve a coragem de colocar na agenda política brasileira as questões da luta pela igualdade racial, pela emancipação feminina, pelos direitos humanos e por um meio ambiente equilibrado, temas caros a uma esquerda renovada e democrática. Temas da revolução democrática. Recentemente, os direitos humanos, abrigados no Plano Nacional de Direitos 3, sofreram um bombardeio de setores conservadores, como se tal plano fosse apenas uma iniciativa do governo, e não resultado de uma ampla e democrática conferência nacional. E por falar nisso, outro aspecto colocado na agenda política pelo governo Lula foi o da participação popular. Contribuiu decisivamente para a realização de conferências nacionais que mobilizaram milhões de pessoas e que contribuem decisivamente para a elaboração das políticas públicas do governo. Na democracia atual, reclama-se o crescimento da participação direta. Não é mais possível pensar apenas no seu caráter representativo.

Quando falo da capacidade de negociação do presidente Lula, não desconheço sua ousadia quando necessário. Esses temas todos não são fáceis de serem apresentados à sociedade. Quando Lula vai, por exemplo, a uma conferência de LGBT, não só legitima o direito à diversidade, quanto enfrenta o pensamento conservador, que ainda tem força em nossa sociedade. Lula, mesmo que não tenha tido uma formação clássica de esquerda, foi ao longo da vida, e do governo, assumindo posições da esquerda contemporânea, tomando atitudes próprias de uma esquerda renovada. Foi ao longo do governo um extraordinário dirigente da revolução democrática em curso, que orgulhou a todos nós. Sobretudo porque, insisto, em momento algum vacilou em relação à prioridade das políticas públicas, que deveriam estar voltadas, como estiveram, para a melhoria das condições de vida do povo brasileiro.

Essa não é, como se sabe, como já disse, uma caminhada fácil. Chegar a isso exigiu muita luta. Confesso que alimentei ilusões de um debate de bom nível sobre o Brasil nessas eleições. Especialmente porque olhava para o passado de Serra, e imaginava que ele tentasse ser digno dele. Penso no passado de resistência à ditadura e de seu papel como ex-presidente da UNE. Até de sua capacidade de formulação intelectual. Enganei-me. Serra assumiu no primeiro turno posições próprias da extrema-direita, lamentavelmente. E escondeu o seu programa neoliberal, como escondeu o próprio Fernando Henrique Cardoso. Preferiu ser um udenista tardio, um Lacerda do novo milênio. Lacerda foi a tragédia, Serra a triste, melancólica farsa.

Quem sabe, no segundo turno ele consiga travar um debate de melhor nível. A mídia hegemônica, outra vez, aquela das três famílias, ou das poucas, reduzidas famílias, fez o que podia e o que não podia para desacreditar Dilma Rousseff, para apresentá-la como uma candidata sem condições, tentando sempre envolvê-la em escândalos. Dilma cresceu durante a campanha, desenvolveu sua capacidade de argumentação, enfrentou bem o seu principal adversário. Apresentou o programa da revolução democrática, baseada naquilo que foi realizado pelo governo Lula Agora é enfrentar o segundo turno com muita firmeza. Em duas eleições demonstramos nossa capacidade. E vamos também demonstrar nas deste ano.

O segundo turno permitirá uma discussão mais aprofundada do nosso projeto. Devemos dizer que a revolução democrática deve caminhar mais. Sempre e sempre com base na democracia, na participação cada vez mais consciente do nosso povo, e não apenas nas eleições, mas também nestas, sempre. Insistir que nosso projeto pretende garantir mais e mais a distribuição de renda. Combater a desigualdade social profunda que ainda nos afeta. Ir fundo na revolução educacional iniciada nos primeiros oito anos. Assegurar o desenvolvimento sustentável. Crescimento econômico a taxas altas não pode nos inebriar e nos levar a uma política que não leve em conta a importância da preservação do meio ambiente. Enfrentar de peito aberto, com firmeza e capacidade, a questão urbana brasileira, especialmente a das médias e grandes metrópoles, que condensam nossos principais problemas nos dias de hoje.

Segundo turno é outra eleição, costuma se dizer, e com razão. Não está posto que os votos dados a Marina, mesmo que eventualmente o PV venha a apoiar Serra ou que Marina também o faça, se transfiram para o candidato tucano. Seguramente, tais votos têm um claro pendor progressista, ao menos uma grande parcela deles. E penso tendem a migrar em sua maioria para a candidatura Dilma. Ou, dito de outra forma, tendem a optar pela revolução democrática em andamento no Brasil. Claro que isso pode parecer apenas expressão do meu pensamento desejoso, e de alguma forma o é. Mas, também, é parte da análise de outras situações de segundo turno.

O povo brasileiro adiou a sua decisão, quem sabe para avaliar melhor o quadro, como o fez nas duas eleições de Lula. E agora, como agiu em relação a Lula, penso, no segundo turno também elegerá Dilma para não perder tudo que conquistou ao longo dos oito anos de governo Lula. Nossa militância, no entanto, sabe que deverá estar nas ruas, defendendo com toda firmeza o nosso projeto, a revolução democrática que está mudando a vida do povo brasileiro.

domingo, 3 de outubro de 2010

Leonardo Boff: A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

23 de setembro de 2010

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lula ou Lindu? Os filhos do Brasil

Maria Clara Lucchetti Bingemer


O recente filme sobre a vida do presidente Lula, feito por Fabio Barreto, não foi o sucesso de bilheteria esperado. Interpretado por muitos como um recurso a mais que o presidente estaria utilizando para alavancar a candidatura de Dilma Roussef a sua sucessão, o filme recebeu crítica não tão positiva e não lotou os cinemas como antes se pensava, em proporção à popularidade tão alta de que goza Lula.
Fui ver o filme. Gostei. Acho que é bem feito, mostra um retrato fiel daquilo em que consiste o capital maior de Lula em relação ao Brasil que pretende governar: suas origens humildes, seu duro itinerário como filho de família numerosa e pobre do Nordeste, como tantas outras, sua luta para conseguir abrir caminho na metrópole paulista em direção a um futuro melhor.
O filme é bem dirigido, com um bom elenco de atores e atrizes, com destaque para o desempenho fantástico de Gloria Pires como Lindu, a mãe coragem, personagem chave na vida de Lula. Justamente Dona Lindu é quem provoca nossa reflexão nesta crônica, fazendo-nos tentar ver mais longe o significado do filme para o entendimento da pessoa e do personagem Lula antes e depois de seu acesso ao governo brasileiro e agora, neste momento em que prepara sua sucessão, em total apoio à campanha de sua candidata Dilma Roussef.
O filme deixa claro que Lula – como muitos brasileiros – é um filho criado por mãe sozinha. Dona Lindu faz parte do time destas inúmeras mulheres para quem o homem que escolheram como companheiro se revela como um peso ou uma ausência. Dominado pela bebida, pela depressão de não conseguir uma vida digna para si ou sua família, pela infidelidade que os faz buscarem outras parceiras sexuais, levando-os a abandonar a casa e a prole, o marido de Lindu, pai de seus inúmeros filhos, inclusive de Lula é alguém que não exerce papel positivo na formação do presidente.
Para muitas mulheres brasileiras como Lindu, o homem que se deita com elas e lhes dá uma maternidade múltipla permanece em casa. Torna-se uma figura emblemática, como um adorno ou um móvel, alguém que não participa em nada da luta pela educação dos filhos e pelo sustento do lar e quando muito serve de alguma garantia para que o vizinho não a incomode. Para Lindu, como para tantas outras, nem esse papel desempenhou o marido, que se foi para São Paulo, com a outra mulher com quem se relacionava e que já levava no ventre um filho seu.
Lindu ficou cuidando dos inúmeros filhos, entre eles Luis Inácio. Aristides voltou em determinado momento, dando-lhe mais uma filha. A todos nutriu, de todos cuidou em meio à pobreza em que vivia. Até que um dia toma também o caminho do sul maravilha com toda a filharada.
O filme mostra com muita felicidade a saga dessa mulher que ao chegar encontra o marido com outra e se dispõe a criar e educar os filhos na metrópole selvagem e hostil, enfrentando todos os obstáculos e dificuldades. E mostra melhor ainda o processo interior que Lula vive ao observar essa giganta de coragem e determinação que é sua mãe.
Cresce e sempre pode encontrar naquela que o trouxe no ventre e o nutriu com o leite de seu peito a conselheira, a que lhe dá força e estímulo, em suma, a melhor amiga. Na vida do jovem metalúrgico que vai descobrindo seu talento de líder sindical, de negociador político, de personalidade carismática, Lindu é a interlocutora privilegiada que o faz ter confiança em si mesmo, não recuar, ir para frente.
O que acontecerá com o psiquismo de Lula quando dona Lindu começa a envelhecer e tornar-se mais fraca, não podendo mais ser a coluna que o sustenta? Simplesmente há uma alternância de apoio feminino. Lindu é substituída por Marisa Letícia, a segunda mulher, esposada após a morte da doce Lurdinha, morta por negligência e imperícia da saúde pública brasileira, assim como o primeiro filho do presidente.
Viúva de um motorista de táxi assassinado na violenta Paulicéia, Marisa é mulher forte, de cabelo na venta, que toma o bastão passado por Lindu e passa a desempenhar o papel de companheira, conselheira, participante em lutas e trabalhos, penas e glórias.
Lula, o filho do Brasil é um homem construído por mulheres, que deve às mulheres, sobretudo ao monumento de força e retidão que foi sua mãe Lindu, mas também à esposa Marisa, muito do que é, do que fez, do que conseguiu. O fenômeno Lula é inseparável do fenômeno Lindu e em certa medida, igualmente do fenômeno Marisa Letícia.
Aonde queremos chegar com essa reflexão? Não pretendemos, obviamente, traçar aqui uma argumentação rigorosa e consistente sobre a sucessão presidencial, nem muito menos fazer previsões neste sentido. Ao contrário, desejamos trazer nossa leitura do filme e da leitura que o diretor faz da trajetória de Lula.
E a conclusão é que Lula é alguém que confia nas mulheres. Como não confiaria, ele que deve tudo que é a Lindu, filha do Brasil por excelência e vencedora em uma situação na qual normalmente só existem vencidos? Ele sabe que deve a Lindu ser hoje um vencedor. Sabe que deve muito a Marisa do equilíbrio psicológico que o ajuda a enfrentar situações para as quais normalmente não estaria preparado. Em suma, sabe que as mulheres, quando assumem um desafio, em geral não o largam e teimosamente lutam até o fim para levá-lo a bom termo. Basta ver o conselho que Lindu lhe dá e que o filme resgata com seu testamento para o filho: “Teima, teima...”
Lula teimou e chegou à presidência. Após três derrotas. Lula agora teima diante de todo o Brasil e insiste na candidatura de uma mulher, Dilma Roussef, para sucedê-lo. As pesquisas dizem que pode não emplacar, a saúde da candidata inspirou cuidados, o carisma de Dilma deixa a desejar. Lula segue teimando. É de supor que aos seus ouvidos continue ressoando o conselho de Lindu: “Teima, teima”.
Se a teimosia der certo como outras já deram, é de se esperar – para o bem do Brasil e do povo brasileiro – que Dilma levante alto a bandeira da mulher no poder, sendo a primeira presidente do Brasil. Não seria justo com Lindu se acontecesse o contrário

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A verdadeira intenção do PSDB

O Senador Alvaro Dias declarou que o partido está em negociação com uma empresa de Houston, nos Estados Unidos, para auxiliar seu trabalho na CPI da Petrobras. E diz mais “Foi a única empresa até agora que topou nos ajudar porque não é daqui e deve trabalhar para as concorrentes da Petrobrás. Na próxima semana devemos ter muito mais munição”.As motivações do PSDB aos poucos vão ficando claras. Para atacar um patrimônio nacional busca apoio em uma concorrente nos Estados Unidos, país que tem enorme interesse no enfraquecimento da Petrobras, já que pretende que suas empresas de petróleo ganhem importante fatia do pré-sal. Para isso contam com um senador tucano, que se dispõe a fazer o jogo do capital internacional contra a empresa brasileira.
Depois de tentar mudar o nome da empresa para PETROBRAX, agora os tucanos se dispõem a prestar relevantes serviços aos concorrentes de nossa maior empresa. Mas, sobre isso, a imprensa não fala uma linha.
Álvaro Dias deverá se encontrar com representantes de uma empresa de Houston na próxima semana para fechar contrato de investigação sobre a Petrobras. Dias deixou subentendido que a investigação que ficará a cargo da tal empresa pode ultrapassar a análise dos documentos enviados à CPI. O senador falou sobre essa questão com jornalistas do Globo, Estadão e Folha. Mas não deu detalhes.
Outro senador que estaria envolvido nos contatos com a empresa é Sérgio Guerra, mas ele se nega a falar sobre o assunto.”
O Conversa Afiada, na segunda-feira, perguntará ao senadores Álvaro Dias e Sérgio Guerra os termos da colaboração dos tucanos com a empresa americana para desestabilizar a Petrobrás e meter a mão no pré-sal.

domingo, 30 de agosto de 2009

SEM NOÇÃO

Teatro lotado, show começando no horário marcado, a companhia de alguém muito especial, o artista entrando de forma glamurosa. Tudo caminhando para ser uma noite impecável, não fossem aqueles incovenientes flashes dos celulares tentando fotografar não sei o quê.
Com a iluminação do teatro reduzida as fotos tiradas a partir do celular não servem para praticamente nada. Não são nítidas, a resolução é ruim, entre outras desvantagens. Além disso ainda existe a questão do desrespeito ao pedido da organização de não fotografar usando flashes. São pequenas luzes que no escuro do teatro se tornam insuportáveis. Mas, um dia, tenho fé que evoluiremos também neste sentido.

sábado, 29 de agosto de 2009

Vou votar na "Jakie"

Alguns minutos dançando em um palco de uma casa de shows de Salvador rendeu à professora Jequeline Carvalho uma exposição midiática muito maior que muito partido grande não consegue.
Os pouco mais de 6 minutos dançando ao som da musica "Todo Enfiado" da Banda O Troco lhe renderam matérias em todos os meios e veículos de comunicação baianos e alguns nacionais.
A rede Record gastou duas preciosas horas da sua programação de fim de tarde exibindo repetidas vezes o vídeo e entrevistando a moça. As perguntas, como não poderia ser diferente neste tipo de programa, ao invés de debater o polêmico aparecimento da professora, se ocupou apenas tentar saber das pretensões artísticas de Jaqueline. O interrogatório queira saber se ela vai posar nua ou ser dançarina da banda e coisas do tipo.
Ela revelou também que havia bebido duas garrafas de whisky e cerveja. Eu custo a acreditar. É muito álcool.
Não sou defensor nem acusador da professora Jaqueline Carvalho. Apenas penso que o foco da discussão deveria ser os caminhos que a música baiana tem trilhado. Temos compositores, cantores, poetas, enfim, artistas de todas as matizes, mas o que gera discussão e mídia gratuita é este tipo de música.